Noite curitibana revela que boemia e cultura andam juntas no lado mais poético da cidade
Curitiba deixa de lado o seu lado pacato de cidade tradicional, da cultura colonial provinciana e mostra sua nova face cultural.
Sua nova forma de se destacar pode ser vista pela boemia, pelo sorriso e pelo desfile de figuras ecléticas pelas suas ruas. Quem vive na cidade e até mesmo quem chega para visitá-la, não encontra apenas a arquitetura moderna de cidade modelo. Há muitas opções para badalar pela noite Curitibana. Não digo balada fortes e locais fechados que limitam apenas respirar o ar do local fechado,olhar somente as mesmas pessoas e transitar várias vezes pelo mesmo local.Semana passada eu li uma matéria em um famoso jornal da cidade que falava sobre meu bairro preferido. O Bairro São Francisco, ao lado Largo da Ordem no Setor histórico da capital.
É tão bom ler e saber que ele cresce a cada dia e mostra um lado que nem todos os curitibanos conhecem.
A boemia e a poesia desse bairro me fascinam desde criança.O encanto começa pela feira hippie que fica atrás da igreja matriz.Depois vai descendo suas ruas como numa composição de imagens e molduras. Pessoas comuns se misturam com a cena urbana ao mesmo tempo com a vida dos artistas locais que estão sempre presente por ali.De repente, a pessoa se sente como estar dentro de um filme ao passar pelo cenário histórico da cidade. Ao mesmo tempo transforma-se em som e pintura.Gesticula e faz malabarismo pelos semáforos.Dança um samba na esquina e olha o andar dançante das meninas prontas para qualquer rock and roll que possa ser encontrado no reduto.Me encanta essa boemia da cidade em noites frias e em noites quentes.Pois é esse calor humano que aquece e evidencia Curitiba. Essa é a cultura daqui.Gosto de passar pela Duque de Caxias, cruzar a Rua Paula Gomes e encontrar um lugar que acho fantástico para começar meu início de noite.O Torto Bar, muito conhecido pela sua decoração, pela sua iniciativa de homenagear Garrincha.Nesse lugar sempre estão presentes músicos locais, jornalistas e artistas.Um prato cheio para quem gosta de se comunicar saboreando um delicioso bolinho de carne.Ao descer a Trajano Reis,as pessoas podem perceber que as baladas parecem migrar e cada um se sente em todos os lugares ao mesmo tempo. Isso é divertido. Serve para vários estilos de pessoas. A pessoa podem escolher ficar na rua ou entrar em algum barzinho, mas observo toda vez que vou até lá, que a rua tornou-se a principal balada.Talvez seja devido a lei anti-fumo que proíbe que as pessoas fumem em locais fechados.
Eu mesma conheci muitas pessoas interessantes, apenas ficando sentada para o lado de fora de um bar na porta conversando enquanto a música toca lá dentro,enquanto ela se limita apenas à platéia em frente ao palco.Curitiba tem um cenário noturno e boêmio agradável para quem souber explorá-la. Pode cair no samba que rola no Brasileirinho, passar pelo lado “rocker” da cidade no Blues Velvet .Tomar apenas uma cervejinha gelada no Chinasky Bar,dançar e sacudir os cabelos no Kubrick Bar,com a música eletrônica.Pode parecer até um intelectual,assistir uma exposição ao mesmo em que a pista de dança e a galeria de arte dividem o mesmo espaço no Wonka Bar, e ainda, antes de ir embora deixar-se envolver pelo Rockabilly do Bar Lado B.
Esses dias conversei com um amigo que mora em umas das ruas, comentei sobre o crescimento bairro e, como a música está sendo melhor aproveitada na cidade.Pois os bares e teatros estão dando mais incentivo a música independente daqui da cidade.Meu amigo me olhou sorrindo e disse: “Vou Abrir na minha casa, já que estou cercado por todos os lados na frente, do lado e do outro lado está cheio de bar”.Esse meu amigo também é músico entre tantos outros que conheço.Que apóiam a iniciativa de musica independente na cidade.Embora todos os músicos e artistas e pessoas ligadas ao meio artístico que conheço, revoltam com uma coisa na cidade.Em saber onde está o nosso espaço para grandes eventos de shows em Curitiba.Fica feio para a cidade não estar dentro do roteiro dos grandes eventos.Eu falo de shows internacionais, nacionais ao ar livre.Curitiba não tem mais isso.Há alguns anos atrás a Pedreira Paulo Lemisnki era palco para grandes eventos.Como show do Paul Mcartney,AC/DC/,David Bowie.Assim como Parque Barigüi e o Bosque do Papa. Hoje, no entanto, é triste saber que não temos um espaço para isso.E a revolta de não poder assistir grandes shows é sentida pela maioria da população.
Alguns eventos são realizados em algumas praças da cidade.Mas nada que possa suportar uma multidão.
E,enquanto não tivermos uma resposta dos responsáveis pela cidade fica essa sugestão de ouvir uma música, bater um papo e conhecer pelas ruas do Bairro São Francisco e suas redondezas.Além de ser mais econômico, saudável e poético.
Cheilla Batista
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